Só depende de mim….

Em mais um dia normal de trabalho, e muito corrido por sinal, o meu gerente me chamou para uma conversa, e no meio dela ele me diz “É que pra mim mulher não tem que trabalhar na área de TI”. Deste momento em diante não consegui mais prestar atenção em nada além do que foi dito, solicitações e afins, a única coisa que conseguia pensar era na frase que ele havia acabado de me dizer.

Como assim, em pleno século 21, na área de trabalho onde as pessoas deveriam ter a mente mais aberta pra tudo ainda existia alguém que pensava desta forma?

Refleti sobre toda a minha história e tudo o que eu havia batalhado pra chegar até ali, naquela empresa que julgava ser uma das melhores para se trabalhar, sobre todo o esforço, sobre todas as noites acordada estudando, sobre todas as coisas que deixei de fazer/ter para poder chegar até ali, sobre tudo e simplesmente não achei uma explicação para tal frase.

“É que pra mim mulher não tem que trabalhar com TI”

Então me diga, com o que mulher tem que trabalhar? Não respondi isso, claro, afinal como toda classe trabalhadora tinha contas para pagar e não podia me dar esse “luxo”, mesmo porque não me ajudaria em nada, nem as demais mulheres que trabalhem com TI ou em qualquer ramo que a sociedade julgue como masculina. Mas não precisei perguntar, parece que ele leu meus pensamentos e piorou o que parecia impossível de piorar e disse “Mulher tem que trabalhar com algo mais light que não exija delas noites em claro ou tanto esforço, pois afinal já tem uma casa pra arrumar” e aí é melhor eu não descrever ao pé da letra o que se passou na minha mente em detalhes rs…..

Eu era a única mulher em uma equipe com 10 pessoas atuantes em infraestrutura sendo três DBA’s, eu inclusive. Fui pra casa refletindo sobre o que tinha ouvido e cheguei a decisão que eu iria provar o meu valor, não me importava o custo disso…

Ahhh se eu soubesse tudo que viria…..

Mudei tudo, melhorei, estudei mais, me esforcei mais, todos confiavam em meu trabalho, menos o que era considerado meu “chefe”, e tudo o que ele podia fazer para me rebaixar psicologicamente ele fazia, pensei em inúmeras vezes em desistir em pedir demissão, fui até o RH da empresa, e de novo nada foi feito, até o dia em que fui demitida, ouvindo a mesma frase como justificativa.

Saí de la com a pior sensação que podia sentir naquela situação, DERROTA.

Me sentia derrotada, uma profissional ruim, de trabalho não realizado, incapaz,  num buraco sem fim onde eu só caía e muitas outras coisas, então fui viajar, espairecer….

Conheci pessoas incríveis e tive bastante tempo para pensar em tudo o que me havia acontecido, afinal, a minha vida inteira tinha sido em prol de chegar aonde eu estava e tudo aquilo havia sido tirado de mim e ainda me falaram que eu não era capaz de fazer, eu estava sem chão, sem rumo, sem perspectivas.

Muitas conversas, muitas pessoas e cheguei na conclusão obvia que eu não era, que eu nunca fui o problema, as mulheres fizeram história em todos os ramos de atividade, inclusive na TI (e aqui posso citar muitas, mas deixarei para outros posts), na NASA, sendo pioneiras em descobertas incríveis entre outras coisas e então decidi seguir em frente e mostrar para todos que pudessem me julgar novamente que eu sou totalmente capaz de desenvolver qualquer tipo de atividade, mas principalmente a profissão que escolhi.

Sou uma das sortudas que pode dizer que teve o privilégio de escolher a própria profissão, e eu escolhi ser DBA, não foi um estágio que consegui e então segui carreira,  mas sim conheci banco de dado, estudei e batalhei muito pra conseguir entrar na área e provar o meu valor, e eu não iria permitir que ninguém me dissesse que eu não poderia segui-la simplesmente por ser mulher.

Isso aconteceu entre os anos de 2011 e 2012, e desde então muitas outras coisas aconteceram na minha carreira, evolução, claro, mas também muitas historias parecida com essa, e após realizar recentemente um web cast com o tema “Mulheres na TI! Quantas você conhece?” com outras três fantásticas mulheres batalhadoras que também trabalham com TI (Sulamita Dantas, Raiane Lins, Dani Marinho)  percebi o quanto as histórias reais são importantes e ajudam tantas pessoas que muitas vezes passam pela mesma coisa mas não sabem como se portar nessa situação tão delicada, ou então que sofrem tanto assédio que passam a acreditar que tenham que aceitar isso e chegam a acreditar que é normal. Então, resolvi compartilhar as histórias vividas, as lições aprendidas, as lágrimas derramadas, mas sobretudo as vitórias conquistadas.

Afinal, nós mulheres podemos e temos capacidade para fazermos o que quisermos e não podemos nos deixar abater quando alguém disser que não podemos.

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