Quando o limite é ultrapassado….

Sempre escuto dos meus companheiros de trabalho que sou uma pessoa muito séria, porém quando me conhecem fora da empresa falam que sou outra pessoa, mas quem pudera, com tantas histórias para contar eu só poderia mesmo criar um personagem para o ambiente de trabalho né? rs…..

Infelizmente nem todas as histórias são engraçadas, nem todas as pessoas sabem até onde podem ir e acabam cruzando limites que não poderiam ser ultrapassados, e é sobre esses limites a história de hoje.

Uma certa vez, em uma das empresas em que trabalhei, em um dia normal de trabalho, um fulano X, que sentava na mesa em minha frente, me chamou no skype e fez a seguinte pergunta “Seu beijo é bom?”.. sim, isso mesmo, sem o padrão “bom  dia, tudo bem?”, sem ter tido liberdade para tal, sem nada que pudesse levá-lo a acreditar que pudesse me abordar desta forma.

Lembro de ter ficado perplexa com a pergunta e ate encaminhado o print para algumas amigas pelo próprio skype. Tentei me lembrar se tinha feito algo que o pudesse levar a uma interpretação errada sobre mim ou que o fizesse acreditar que tinha tal liberdade, mas não tinha.

Então respondi “pq a pergunta?” e eis que a resposta conseguiu ser pior ainda “pq se eu quiser experimentar quero saber se é bom”, não vou descrever aqui o que eu pensei na hora pois não  seria apropriado, mas a minha resposta foi “fique tranquilo pq vc nunca terá esta oportunidade”. Um adendo para o perfil do fulano x em questão, casado com 39 anos na época e um filho.

Depois deste episódio seguiu-se vários outros e que foram ficando cada vez piores as “investidas”.  Um dia me falando sobre a minha roupa (eu nunca uso roupa inapropriada para o trabalho), outro dia falando do meu cabelo, cada dia falando de alguma coisa, e eu cada vez mais ficava constrangida com aquilo, confesso que foi uma das piores sensações que já senti na vida, eu queria que aquilo parasse, eu queria poder trabalhar em paz, mas também tinha vezes que eu queria sumir e nunca mais ver o fulano na minha frente.

Era uma mistura de sensações indescritível, só quem já passou por isso sabe como é…. E antes que defendam dizendo que “paqueras” sempre acontecem no ambiente de trabalho, aquilo não era uma, pois a paquera acontece quando ambos dão liberdade um para o outro e não era o caso.

Por inúmeras vezes eu pedi para parar, mas só fazia aumentar, ignorar também não funcionava e então cheguei no meu limite, e fui falar com o meu superior, e foi o maior erro que cometi na vida.

O fulano X e meu superior eram amigos, e nada aconteceu, pelo contrário, piorou, pois o fulano espalhou pela empresa inteira que eu havia dado liberdade (mas eu tinha como provar que não) e que a culpa era minha. Aquela velha história de que se a mulher sai na rua com shorts curto e é estuprada foi por que procurou, enfim…..

Algumas pessoas me defenderam, a maioria, com medo do superior se absteve, e eu… disponibilizei meu CV no mercado e saí da empresa.

Hoje vejo que deveria ter levado a história diretamente ao RH, com as evidências que eu tinha, mas também não sei se algo seria feito, mas também não foi o que fiz.

Afinal vivendo e aprendendo…

Esta foi uma das piores situações que já passei em minha vida empresarial e que não pretendo passar novamente, mulher nenhuma, de nenhum departamento merece passar por isso, estudamos, nos dedicamos e se chegamos aonde chegamos foi por nosso mérito nada mais.

Sair daquela empresa foi a melhor coisa que fiz e sim também aprendi algo lá.. aprendi como não devo tratar as pessoas… aprendi a respeitar o espaço de cada um independente da situação.. mas o principal aprendi que existem limites que jamais devem ser cruzados.

Quando me perguntam por que eu sou uma pessoa séria, apenas digo que não sou, não preciso explicar muitos motivos e aos que tem intimidade comigo sabem que não sou tão séria assim.

E a todas que um dia passaram por situações iguais ou parecidas, segue o meu conselho.. Não tenham medo de falar, não merecemos esse tipo de atitude, falem sim mas falem para a pessoa certa, para quem poderá acabar com isso.

Compartilhem suas situações nos comentários….

Estudar ou não estudar? Eis a questão…

As vezes me pego perguntando como ainda existem pessoas que pensam que estudar não é necessário, que só a experiência no ramo vai contar e etc etc etc….

Um belo dia no ano de 2010 eu trabalhava em uma grande empresa de telefonia em uma equipe de 05 colaboradores mais o coordenador, ainda era uma DBA júnior mas já tinha plena certeza que era com isso que eu queria trabalhar por um longo tempo, afinal nada é pra sempre e vai que no futuro minhas escolhem mudem… mas ainda sou DBA e amo muito o faço…

continuando…

Estava prestes a terminar a faculdade de Tecnologia em banco de dados, que concluí em julho/2010 e após dois anos e meio de muita luta conciliando a faculdade, trabalho, cursos de especialização e como todo bom estudante sem 1 real no bolso estava na grande dúvida da minha vida, começar uma pós graduação logo em seguida ou não?

Claro que se eu tivesse essa dúvida hoje a resposta seria muito óbvia pra mim, começar a pós com certeza, mas na época estava muito em dúvida então saí consultando algumas pessoas aleatórias e amigos também.

Estava praticamente no meio a meio entre opiniões para seguir em frente com a pós e esperar por 2011 para isso, ate que perguntei para um companheiro de trabalho, que por um acaso também era meu coordenador, mas como tínhamos um certo contato (caronas diárias devido a proximidade de nossas residências) me senti a vontade para pedir a sua opinião.

Nesse época, ele já estava na casa dos quarenta e tantos de idade e não possuía faculdade alguma, mas realmente para mim isso não importava.

E então, eis que perguntei: “Fulano (não precisamos citar nomes não é?), o que você acha de eu engatar uma pós logo em seguida da faculdade?” e eis que me vem uma inesperada resposta: “Eu acho que vocês esta tentando pegar o meu lugar isso sim”.

Lembro de ficar sem resposta com tal alegação, afinal, que insegurança era aquela, e definitivamente aquela não era minha pretensão. E claro que como uma boa geminiana que sou a minha resposta também foi uma alfinetada: “O seu lugar? não obrigada, ele não me interessa nem um pouco”

Passei muito tempo refletindo sobre isso e cheguei a algumas conclusões que levei pra minha vida profissional:

  • Ninguém é insubstituível, mas alguns fazem muito mais falta que outros.
  • Centralização de informação não segura emprego nenhum.
  • E o principal para mim: Quero ser a pessoa disputada pelas organizações pela minha capacidade e qualificações. E isso demanda estudo, tempo e dedicação.

Naquele dia, eu percebi que o mundo corporativo nem sempre é fácil, muitas vezes nossas atitudes, que julgamos ser boas, podem parecer ruins ou “puxadas de tapete” para outros, mas eu cheguei a conclusão que pensar desta forma é um defeito do outro e não meu.

Hoje em dia temos muitas oportunidades para nos qualificarmos profissionalmente, existem muitos cursos gratuitos, presenciais ou pela internet, basta um pouco de esforço e força de vontade.

O primeiro curso de inglês que fiz era gratuito e mais ou menos 5 km da minha casa e eu ia a pé e voltava a pé todos os dias que tinha o curso pois eu não tinha como pagar o transporte coletivo.

Minha grande amiga de infância abriu mão de tudo para cursar Psicologia, que sempre foi seu sonho, em outra cidade longe de todos os familiares e amigos no auge de seus 30 anos.

Então não temos mais desculpas, em pleno ano de 2017 para não nos esforçar em buscar sempre o melhor, independente do ramo em que trabalhamos, e muito menos para julgar que aquele que esta sempre atrás de melhorar queira “puxar o seu tapete”.

Então, para aqueles que gostam de ficar no sofá assistindo TV esperando que as oportunidades caiam do céu, o meu conselho é… Levanta daí e vai a luta, por que enquanto você esta sentando ai tem pelo menos uns 30 caras tirando certificações e se especializando em suas áreas.

Ahhh e para quem esta curioso se cursei ou a pós graduação logo em seguida a resposta é não, pois queria fazer em uma faculdade boa o que significa um investimento maior também, acabei cursando a pós graduação em gestão de TI no ano de 2012, na instituição que eu realmente queria.

Grande beijo.

Suh Moraes

Só depende de mim….

Em mais um dia normal de trabalho, e muito corrido por sinal, o meu gerente me chamou para uma conversa, e no meio dela ele me diz “É que pra mim mulher não tem que trabalhar na área de TI”. Deste momento em diante não consegui mais prestar atenção em nada além do que foi dito, solicitações e afins, a única coisa que conseguia pensar era na frase que ele havia acabado de me dizer.

Como assim, em pleno século 21, na área de trabalho onde as pessoas deveriam ter a mente mais aberta pra tudo ainda existia alguém que pensava desta forma?

Refleti sobre toda a minha história e tudo o que eu havia batalhado pra chegar até ali, naquela empresa que julgava ser uma das melhores para se trabalhar, sobre todo o esforço, sobre todas as noites acordada estudando, sobre todas as coisas que deixei de fazer/ter para poder chegar até ali, sobre tudo e simplesmente não achei uma explicação para tal frase.

“É que pra mim mulher não tem que trabalhar com TI”

Então me diga, com o que mulher tem que trabalhar? Não respondi isso, claro, afinal como toda classe trabalhadora tinha contas para pagar e não podia me dar esse “luxo”, mesmo porque não me ajudaria em nada, nem as demais mulheres que trabalhem com TI ou em qualquer ramo que a sociedade julgue como masculina. Mas não precisei perguntar, parece que ele leu meus pensamentos e piorou o que parecia impossível de piorar e disse “Mulher tem que trabalhar com algo mais light que não exija delas noites em claro ou tanto esforço, pois afinal já tem uma casa pra arrumar” e aí é melhor eu não descrever ao pé da letra o que se passou na minha mente em detalhes rs…..

Eu era a única mulher em uma equipe com 10 pessoas atuantes em infraestrutura sendo três DBA’s, eu inclusive. Fui pra casa refletindo sobre o que tinha ouvido e cheguei a decisão que eu iria provar o meu valor, não me importava o custo disso…

Ahhh se eu soubesse tudo que viria…..

Mudei tudo, melhorei, estudei mais, me esforcei mais, todos confiavam em meu trabalho, menos o que era considerado meu “chefe”, e tudo o que ele podia fazer para me rebaixar psicologicamente ele fazia, pensei em inúmeras vezes em desistir em pedir demissão, fui até o RH da empresa, e de novo nada foi feito, até o dia em que fui demitida, ouvindo a mesma frase como justificativa.

Saí de la com a pior sensação que podia sentir naquela situação, DERROTA.

Me sentia derrotada, uma profissional ruim, de trabalho não realizado, incapaz,  num buraco sem fim onde eu só caía e muitas outras coisas, então fui viajar, espairecer….

Conheci pessoas incríveis e tive bastante tempo para pensar em tudo o que me havia acontecido, afinal, a minha vida inteira tinha sido em prol de chegar aonde eu estava e tudo aquilo havia sido tirado de mim e ainda me falaram que eu não era capaz de fazer, eu estava sem chão, sem rumo, sem perspectivas.

Muitas conversas, muitas pessoas e cheguei na conclusão obvia que eu não era, que eu nunca fui o problema, as mulheres fizeram história em todos os ramos de atividade, inclusive na TI (e aqui posso citar muitas, mas deixarei para outros posts), na NASA, sendo pioneiras em descobertas incríveis entre outras coisas e então decidi seguir em frente e mostrar para todos que pudessem me julgar novamente que eu sou totalmente capaz de desenvolver qualquer tipo de atividade, mas principalmente a profissão que escolhi.

Sou uma das sortudas que pode dizer que teve o privilégio de escolher a própria profissão, e eu escolhi ser DBA, não foi um estágio que consegui e então segui carreira,  mas sim conheci banco de dado, estudei e batalhei muito pra conseguir entrar na área e provar o meu valor, e eu não iria permitir que ninguém me dissesse que eu não poderia segui-la simplesmente por ser mulher.

Isso aconteceu entre os anos de 2011 e 2012, e desde então muitas outras coisas aconteceram na minha carreira, evolução, claro, mas também muitas historias parecida com essa, e após realizar recentemente um web cast com o tema “Mulheres na TI! Quantas você conhece?” com outras três fantásticas mulheres batalhadoras que também trabalham com TI (Sulamita Dantas, Raiane Lins, Dani Marinho)  percebi o quanto as histórias reais são importantes e ajudam tantas pessoas que muitas vezes passam pela mesma coisa mas não sabem como se portar nessa situação tão delicada, ou então que sofrem tanto assédio que passam a acreditar que tenham que aceitar isso e chegam a acreditar que é normal. Então, resolvi compartilhar as histórias vividas, as lições aprendidas, as lágrimas derramadas, mas sobretudo as vitórias conquistadas.

Afinal, nós mulheres podemos e temos capacidade para fazermos o que quisermos e não podemos nos deixar abater quando alguém disser que não podemos.